A hantavirose é uma doença infecciosa aguda grave nova, provocada pelo hantavírus, o qual está presente em ratos silvestres, que vivem em áreas rurais. No início, a infecção se parece com uma gripe forte, mas progride muito rapidamente, com severas complicações nos órgãos vitais, sobretudo no coração, nos pulmões e nos rins. Qualquer que seja o tipo de apresentação da virose, o fato é que ela cursa de modo agressivo, podendo ser fatal em apenas 72 horas se não receber nenhum tratamento. Nas Américas, considera-se a hantavirose como uma doença emergente, ou seja, em ascensão. Tanto é assim que o Brasil saiu de três casos, em 1993, para 167, em 2006, a maioria no Sul e no Sudeste, seguida pelo Centro-Oeste. Por isso, é fundamental que a população das áreas rurais nessas regiões de maior prevalência tenha conhecimento de como evitar o contato com os ratos e, especialmente, que procure sempre esclarecer, em um serviço médico, a origem de eventuais estados febris logo no começo dos sintomas. |
"Os sinais clínicos da hantavirose se parecem muito com os de qualquer virose nos primeiros dias, já que a infecção causa febre, dor de cabeça, vômitos, náuseas e tonturas, tosse seca, falta de ar, dores musculares e dor abdominal. Esses sintomas duram, em média, de três a seis dias, depois dos quais pioram progressivamente, surgindo manifestações da chamada síndrome pulmonar e cardiovascular por Hantavirus, caracterizada por importante dificuldade para respirar, palpitação e queda muito acentuada de pressão arterial. A doença tem, como causa, o hantavírus, ou vírus Sin Nombre, que é transmitido pela inalação de poeira contaminada com vírus eliminados na urina, nas fezes e na saliva de ratos silvestres que vivem em áreas rurais, os quais carregam esse agente infeccioso. Os ratos urbanos, como ratazanas e camundongos, não são transmissores do vírus. De forma menos comum, é possível ainda adquirir a hantavirose por mordida dos roedores e por meio do contato direto do microrganismo com lesões de pele e com mucosas. A transmissão de pessoa para pessoa também já foi notificada, mas em um surto isolado, fora do Brasil. Em Santa Catarina, a maior freqüência da doença está associada à ratada, ou seja, ao aumento do número de roedores decorrente de um fenômeno natural – a floração da taquara, que ocorre a cada 30 anos. Depois que floresce, a planta lança ao solo o alimento preferido dos ratos silvestres, o arroz-de-taquara. Com tanta comida à disposição, os animais se reproduzem mais. Mas a fartura acaba e eles, então, vão em busca de alimento nas habitações, chegando mesmo a invadir as cidades, como ocorreu na última oportunidade. As pessoas mais suscetíveis a essa virose incluem, além dos moradores de áreas rurais, agricultores, caçadores, pescadores e turistas que fazem trilhas e acampamentos."
"Como as manifestações clínicas iniciais da doença são comuns a tantas outras viroses, o diagnóstico depende inicialmente de um bom cruzamento entre os sintomas e a história do indivíduo, de modo que o médico encontre indícios da possibilidade de ele ter tido contato com o vírus – residência, trabalho ou turismo em áreas rurais. Dessa forma, o especialista pode pensar nessa hipótese ainda no começo da infecção e buscar sua confirmação laboratorial, por meio da pesquisa de anticorpos contra o hantavírus no sangue da pessoa com a suspeita. Na fase das complicações cardiorrespiratórias, uma radiografia de tórax revela alterações pulmonares compatíveis com a hantavirose."
"Como outras doenças causadas por vírus, o tratamento da hantavirose é feito com medicações para tratar os sintomas e com medidas de suporte clínico para a manutenção das funções vitais, muitas vezes em unidade de terapia intensiva, até que o organismo se encarregue de combater o agente infeccioso por meio de suas defesas naturais – ou seja, pela ação dos anticorpos contra o hantavírus. A melhor maneira de prevenir a doença é evitar o contato com ratos silvestres e suas secreções, alem de adotar alguns cuidados para manter os roedores a uma distância segura em áreas rurais. As providências preconizadas são simples de tomar: não manter a casa fechada por muito tempo, não plantar nada a menos de 30 metros de distância da habitação, aparar constantemente o mato ao redor do local, não deixar madeira, lixo ou folhas acumuladas perto da residência, guardar rações ou alimentos pelo menos a 40 centímetros do chão, não comer frutos caídos ou próximos do solo, tapar frestas e buracos por onde o rato possa passar, fazer a limpeza da casa com rigor e jamais tocar no rato. A desinfecção dos ambientes contaminados ou simplesmente suspeitos de contaminação deve ser feita com hipoclorito de sódio (água sanitária) a 10%, por pessoa adequadamente protegida com luvas e botas de borracha, macacão fechado, máscara, óculos de proteção e chapéu. Nenhum método de limpeza que levante poeira deve ser usado nesses locais, já que o vírus pode ser muito facilmente inalado em tais situações. Quem gosta de acampar no mato deve procurar um local afastado da mata e exposto ao sol para montar a barraca, além de manter os alimentos bem fechados e só usar calçados fechados. Por último, é fundamental procurar um médico diante de uma doença febril."