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Raiva

Tópicos presentes nesta página:

  • Descrição  
  • Causas e Sintomas  
  • Exames e Diagnósticos  
  • Tratamentos e prevenções  

Descrição

A raiva é uma doença infecciosa aguda que pode acometer todos os mamíferos de sangue quente, sendo considerada uma zoonose por ser transmitida de alguns animais para o homem.

A moléstia decorre da ação de um vírus mortal transmitido pela saliva através da mordida ou da lambedura do animal, que, uma vez instalado no organismo humano ou animal, rapidamente se alastra dos nervos para o sistema nervoso central, causando inflamação no encéfalo, a encefalite, e outros danos neurológicos fatais.

Apesar dessa evolução grave, a doença pode ser prevenida com bastante eficácia com a imunização animal periódica e com o controle de cães e gatos errantes, que vagam pelas ruas à deriva.

A raiva é uma moléstia de ocorrência universal e, atualmente, só está erradicada de países como Japão, Reino Unido, Havaí e de determinadas ilhas do Pacífico.

No Brasil, porém, a zoonose ainda faz vítimas na população. De 1980 a 2005, houve 1.388 casos confirmados, a maioria nas regiões Norte e Nordeste, mas o número de pessoas infectadas caiu abruptamente nas últimas décadas, tendo saído de 173 casos, em 1980, para 44, em 2005.

Ainda assim, mesmo no Estado de São Paulo existem regiões endêmicas de raiva em animais, sobretudo em cães, o que exige das autoridades de saúde e da própria população uma maior atuação para evitar novas ocorrências em humanos.

Causas e Sintomas

"O quadro infeccioso é semelhante em homens e animais, caracterizando-se por mal-estar geral, espasmos musculares, ansiedade e inquietude extremas, convulsões, delírios e sensação de raiva, traduzida por grande agressividade. Em animais - e muito raramente no ser humano -, a forma da doença é denominada paralítica, uma vez que ela não evolui com quadro de agressividade, mas sim de paralisia de grupos musculares relevantes. Há também um medo incontrolável de água que quando deglutida provoca um espasmo doloroso na laringe – a chamada hidrofobia –, além de sensibilidade à luz. Os espasmos musculares na orofaringe tornam a deglutição dos alimentos também muito dolorosa e dificultam sobremaneira a alimentação. O local de contato com o vírus – geralmente uma mordedura ou arranhadura de animal – também fica sensível e dormente. Os danos cerebrais,à medida que avançam, evoluem para alterações da consciência, até o coma. A raiva é causada por um vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, transmitido ao homem principalmente pela saliva de animais contaminados, o que ocorre sobretudo por arranhões e mordidas, mas também por lambidas de lesões já existentes na pele humana, ainda que não tenha havido agressão. Em áreas urbanas, o cão responde pela principal fonte de transmissão, seguido do gato, enquanto em espaços rurais, o morcego é o mais importante transmissor. No Brasil, os reservatórios domésticos mais comuns do vírus incluem, além de cães e gatos, os bovinos e os eqüinos. Já entre os animais silvestres mais implicados com a doença estão o macaco, a raposa, o guaxinim e o já mencionado morcego. Na literatura científica, só existem casos de contaminação com o Lyssavirus de pessoa para pessoa através do transplante de córnea. Qualquer que tenha sido a forma de contato com esse vírus, o período entre a contaminação e o surgimento dos sintomas pode ser longo, variando de três semanas a dois anos, com média de 45 dias."

Exames e Diagnósticos

"O diagnóstico da raiva feito com dados do quadro clínico é sempre tardio, pois, se uma pessoa apresenta as manifestações da zoonose, o vírus já está instalado em seu sistema nervoso central. Por isso, sempre que ocorrer uma agressão por um animal, a suspeita deve ser levantada e ele deve ser observado por um período de 7 a 10 dias, além de seu dono ser inquirido a respeito do estado vacinal contra a doença. A raiva pode ser comprovada precocemente por testes laboratoriais de sangue ou de saliva, para a pesquisa de anticorpos contra o Lyssavirus, ou mesmo por uma biópsia de pele. Neste procedimento, fragmentos do local da agressão são colhidos, sob anestesia local, para posterior análise direta de suas alterações, células e tecidos. De toda forma, o tratamento costuma ser introduzido antes mesmo de qualquer resultado ficar pronto."

Tratamentos e prevenções

"A instituição rápida do tratamento depende muito da agilidade de quem foi atacado por um animal doméstico ou silvestre: é imperativo lavar veementemente o ferimento com água e sabão, aplicar no local do ferimento um produto anti-séptico e procurar assistência médica imediatamente. Conforme cada caso, o profissional de saúde vai prescrever a aplicação da vacina anti-rábica e/ou do soro anti-rábico, composto de anticorpos contra o vírus da raiva. Cabe à vítima, ainda, fornecer o máximo de informações sobre o agressor, de modo que seu proprietário ou as autoridades sanitárias possam deixá-lo em observação, até mesmo para evitar novos casos. A medida mais importante para prevenir a raiva está mesmo na vacinação anti-rábica, sempre atualizada, dos animais de convívio próximo. A imunização humana só se aplica a pessoas que têm profissões de alto risco, como as de veterinário, criadores e adestradores. Para a maioria da população, é fundamental manter uma distância segura de reservatórios silvestres, como o macaco e o guaxinim, que sempre inspiram grande interesse, e sobretudo de cães e gatos de rua. Quem tem bichos de estimação precisa ficar atento a mudanças repentinas no comportamento dos animais, devendo procurar um serviço veterinário ao menor sinal de agressividade e/ou de dificuldade para engolir ou andar. E, convém insistir, diante de mordedora e arranhadura de bichos suspeitos, a agilidade na busca de socorro médico precisa ser levada a sério, ainda que se trate de um ferimento leve."